Durante sua participação na cúpula do G7, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamou a atenção pela sequência de falas controversas dadas em declarações públicas após encontros ou captadas por transmissões do evento.
A seguir, listamos as principais falas controversas do petista no encontro.
"Trump acha que pode dar ordem ao mundo"
Uma das declarações de Lula ocorreu durante uma conversa dele com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. A declaração dele foi captada pela Associated Press (AP). Nela, o petista critica o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamando o republicado de “imperador”.
"Eu não gosto de briga. Mas eu não suporto o comportamento do governo americano", disse Lula na ocasião. Na sequência, o petista disse que Trump tem "comportamento de imperador" e afirmou que o chefe da Casa Branca acredita que pode "levantar de manhã e dar ordem no mundo todo".
"Não se meta nas eleições do Brasil"
Após Trump comentar a situação política brasileira, onde ele classificou o país como "um pouco conturbado" e "perigoso politicamente", Lula reagiu, alertando o presidente americano a “não se meter nas eleições” brasileiras.
"Não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, assim como as eleições americanas são um problema deles", declarou.
Na mesma fala, o petista defendeu o sistema eleitoral brasileiro e disse que os Estados Unidos poderiam "aprender com o Brasil". Segundo Lula, não há país com eleições "mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas" do que o Brasil. Ele também elogiou as urnas eletrônicas, afirmando que o resultado das eleições brasileiras é conhecido poucas horas depois do fim da votação.
Ao comentar a situação do Brasil, Trump também falou sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele disse ter ouvido que "prenderam alguém que está concorrendo à Presidência" e citou "Bolsonaro Jr.", em aparente referência aos filhos do ex-presidente brasileiro. Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro se encontraram com Trump no mês passado.
"Eu nunca fui esquerdista"
Em uma conversa com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, Lula afirmou que nunca se considerou um político de esquerda, em outra fala controversa do presidente brasileiro que foi captada durante o evento.
"Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação com a UGT, da Espanha", disse.
Pouco antes, ele também afirmou que "o mundo não é de esquerda, mas do caminho do meio".
"Já fui tratado como anticomunista"
Na mesma conversa captada, Lula relembrou episódios do início de sua trajetória política e afirmou que chegou a ser visto como anticomunista nos anos 1980.
"Em 1980 tinha um congresso na Rússia que eu fui convidado. Eu não fui na Rússia porque eu estava condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade. Aí passei a ser tratado como anticomunista", afirmou.
"Não sei por que a ONU não recomenda o sistema eletrônico de votação"
Essa outra fala de Lula também foi captada enquanto ele falava com Georgieva e Merz no G7. Na ocasião, ele passou a defender o sistema eleitoral brasileiro via urnas eletrônicas, falando sobre sua trajetória política e questionando por que a ONU não recomenda as urnas eletrônicas para todos os países do mundo.
"Eu não sei por que a ONU não adota o sistema eletrônico de votação como orientação aos países", declarou o petista.
Em seguida, o presidente afirmou que suas vitórias e derrotas ocorreram sob o sistema eletrônico de votação.
"Posso ser eleito quatro vezes"
Ao ser questionado por Georgieva durante a conversa sobre as urnas a respeito da possibilidade de disputar novamente a Presidência, Lula respondeu que a legislação brasileira permite voltar ao cargo após um mandato de intervalo e falou que possivelmente pode ser eleito pela quarta vez no Brasil no sistema de urnas eletrônicas.
"Se eu for eleito agora, serei o presidente eleito mais longevo da História do Brasil. O único presidente que foi eleito três vezes e possivelmente o único eleito quatro vezes", declarou.
“Não sentia interesse do Zelensky pela paz”
Outra declaração controversa feita por Lula ocorreu após o encontro dele com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Ao comentar a reunião, o petista afirmou que, pela primeira vez desde o início da guerra, percebeu disposição do líder ucraniano para buscar uma solução para o conflito.
"Pela primeira vez, eu senti o Zelensky com muita disposição de encontrar uma solução e, naquilo que eu puder ajudar, vou ajudar", declarou.
Lula foi além e sugeriu que, até então, não via interesse dos envolvidos em encerrar a guerra.
"Eu não sentia interesse do Zelensky pela paz, não sentia interesse do [ditador russo, Vladimir] Putin pela paz, não sentia interesse do [ditador da China] Xi Jinping pela paz", afirmou.
Segundo o presidente brasileiro, a conversa realizada durante o G7 foi a melhor que já teve com Zelensky desde o início da invasão russa. Lula também afirmou ter percebido uma “mudança na postura do ucraniano” em relação às negociações e defendeu maior participação dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU na busca por uma solução diplomática para o conflito.
"Sem controle, IA vai ampliar desigualdades"
Durante discurso, Lula voltou a defender a regulação das plataformas digitais.
"Enquanto empresas de tecnologia possuem valor equivalente ao de grandes economias, 2,6 bilhões de pessoas ainda permanecem desconectadas da internet. Sem ação deliberada, a inteligência artificial pode ampliar, e não reduzir, desigualdades", afirmou o presidente.
Na mesma fala, Lula defendeu que os dados produzidos por cidadãos e instituições brasileiras sejam protegidos e gerem valor para a sociedade. O petista também citou o ECA Digital, legislação sancionada neste ano para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.
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Donald Trump pode continuar gostando da família Bolsonaro, mas não pode violar a soberania e se meter nas eleições brasileiras, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o líder americano afirmar que o Brasil se tornou "politicamente perigoso".
Lula foi questionado sobre as declarações dadas pelo presidente americano ao final da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.
"Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso", disse o presidente brasileiro, durante uma entrevista coletiva em Genebra para tratar de sua participação no G7.
"Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema – é um problema dele afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil".
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Mais cedo, durante sua própria entrevista coletiva de encerramento do fórum, Trump disse que conversou com Lula durante o evento.
"Eu passei bastante tempo com ele [Lula]. E o Brasil se tornou um país um pouco complicado. Ficou um pouco perigoso politicamente", afirmou, após ser questionado por uma jornalista brasileira se havia conversado com Lula.
Trump ainda fez uma menção ao que se supõe ser a condenação de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (16/06).
O presidente americano, porém, pareceu confundir o filhos do meio do ex-presidente com seu filho mais velho, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP).
"Ouvi dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Prenderam, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele", afirmou Trump.
Em resposta, Lula disse ainda que Trump "conhece pouco o Brasil" e que, se conhece o país através da família Bolsonaro, "ele desconhece" o Brasil de verdade.
O presidente brasileiro também defendeu o processo eleitoral brasileiro, as urnas eletrônicas e a democracia. "Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas", disse.
"Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele [Trump] como é que ela funciona."

Ameaça das tarifas é 'uma coisa desaforada'
Lula falou a jornalistas na residência oficial do embaixador do Brasil nas Nações Unidas, em Genebra. O presidente participou de uma reunião com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no local.
Ele também foi questionado sobre as interações que teve com Donald Trump durante o fórum do G7, que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.
Esta foi a primeira vez que os dois estiveram no mesmo local desde que o governo americano anunciou a possibilidade de aplicar uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras.
O encontro também acontece após os EUA passarem a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Segundo Lula, a ameaça das tarifas é "uma coisa desaforada" para o Brasil.
"Ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador", afirmou.
O petista disse ainda que não solicitou uma reunião bilateral com o chefe de Estado americano porque os dois países estão no meio da negociação sobre o tema.
Lula disse ainda que entregou ao governo americano um documento detalhando as ações brasileiras de combate ao crime organizado.
"Eu entreguei por escrito, porque quando eu converso com uma pessoa que fala mais do que ouve, eu faço questão de entregar por escrito para as pessoas não esquecerem", disse, dizendo ainda que ficou surpreso quando recebeu a notícia sobre a designação das facções brasileiras como terroristas.
"Eu falei para ele que essas organizações criminosas são terroristas para o povo brasileiro, para o povo das comunidades do Brasil. Não são terroristas como você pensa, eles não querem brigar e derrotar o Estado, eles querem dinheiro."
Lula completou ainda sua resposta dizendo que os Estados Unidos deveriam, em uma ação de combate ao crime organizado, prender alguns dos brasileiros envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 2022.
O presidente deu como exemplo de quem deveria ser preso por Trump o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão no caso que apurou uma tentativa de golpe de Estado, e que vive nos EUA.
📢 As falas que deram o que falar: Lula no G7
A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7, na França, foi marcada por uma série de declarações fortes e bastidores captados que geraram grande repercussão no cenário político nacional e internacional.
De geopolítica a inteligência artificial, separamos os principais pontos das falas controversas do presidente:
🏛️ "Nunca fui esquerdista"
Em conversa com líderes internacionais, como o chanceler alemão Friedrich Merz e a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, Lula surpreendeu ao redefinir sua trajetória política:
"Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical (...). O mundo não é de esquerda, mas do caminho do meio." Ele ainda relembrou os anos 1980, afirmando que na época chegou a ser tratado como "anticomunista".
🇺🇸 Recado direto a Donald Trump
Após o presidente americano classificar a situação política do Brasil como "perigosa", Lula reagiu de forma incisiva e criticou o comportamento de Trump:
Autonomia: "Não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil."
Crítica geopolítica: Chamou o republicano de "imperador" e criticou a postura de Washington: "Ele acredita que pode levantar de manhã e dar ordem no mundo todo."
🗳️ Defesa das Urnas e o "Quarto Mandato"
Lula exaltou o sistema eleitoral brasileiro, questionando por que a ONU não recomenda as urnas eletrônicas globalmente. Ao ser questionado sobre o futuro, projetou a história:
"Se eu for eleito agora, serei o presidente eleito mais longevo da História do Brasil. O único presidente que foi eleito três vezes e possivelmente o único eleito quatro vezes."
🕊️ Mudança de tom sobre a Guerra na Ucrânia
Após se reunir com Volodymyr Zelensky, o petista sinalizou uma mudança na percepção sobre o conflito, mas não poupou críticas ao passado recente:
"Eu não sentia interesse do Zelensky pela paz, não sentia interesse do Putin pela paz, não sentia interesse do Xi Jinping pela paz."
No entanto, ponderou que, pela primeira vez, sentiu o líder ucraniano com real disposição para buscar uma solução diplomática.
🤖 Alerta sobre a Inteligência Artificial
No discurso oficial, o foco foi a desigualdade digital e a necessidade de regulação das Big Techs:
Ele alertou que, sem controle e governança, a inteligência artificial vai ampliar as desigualdades globais em vez de reduzi-las, defendendo a proteção de dados locais.
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